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Guia Prático - Escolha a cor certa para seu ambiente

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O Poder das Cores

É comprovado cientificamente, a cor pode influenciar o humor, a satisfação e a motivação do indivíduo. Dependendo da cor de um ambiente, estamos predispostos a sentir determinadas emoções. E isso não acontece só nos seres humanos, não. Até os animais sentem as diferenças das cores em um ambiente. Um estudo com Tilápias do Nilo mostrou que, submetidos a diferentes cores de ambientes e situações sociais, os peixes apresentavam até mesmo variação nas substâncias do corpo. Os peixes mantidos nos ambientes preto e verde apresentaram baixas frequências de agressividade, enquanto aqueles mantidos no ambiente branco, altas frequências, porém com redução do padrão de ameaça e não alterando sua locomoção. Animais submetidos às cores marrom e azul apresentaram as mais altas frequências de agressividade e maior atividade locomotora.  

A psicóloga e professora da USF, Fabiola Biasi, desenvolve pesquisas utilizando o Teste das Pirâmides Coloridas de  Pfister e Zulliger, um instrumento que avalia aspectos da personalidade, destacando principalmente a dinâmica afetiva e desempenho cognitivo do indivíduo. Ela conta um pouco sobre o poder das cores, de acordo com a psicologia.  

"Hermann Rorschach, o criador do teste das manchas de tinta, descreveu que as cores são representantes dos afetos e das emoções, sendo assim, podem auxiliar na compreensão de como a pessoa lida com as suas emoções", conta ela. A psicóloga ainda diz que a escolha das cores pode auxiliar no entendimento de algumas características da personalidade. 

"Em minha prática profissional, realizo avaliação psicológica em que se utiliza várias técnicas como entrevistas, observações e aplicação de testes. Um dos testes que faço é o das Pirâmides Coloridas de Pfister. A análise contempla as frequências das cores escolhidas pelo indivíduo, o agrupamento de cores, o aspecto formal, o modo de colocação, o processo de execução e a quantidade de cores usadas, repetidas nas pirâmides, e as ausentes. Ele auxilia na compreensão de aspectos cognitivos e emocionais do indivíduo, que serão comparados com as outras técnicas e, assim, serão descobertas as potencialidades e fragilidades de cada um", conta ela. Nesse teste, existem interpretações para cada uma das cores, bem como para suas tonalidades que são embasadas em estudos que buscam comprovar essas interpretações.  

Fabiola relata que a todo o momento estamos recebendo estímulos visuais e coloridos. A cor laranja, por exemplo, faz parte das cores quentes e estimulantes. Em uma pesquisa realizada por Villemor-Amaral, Tavella, Cardoso, Biasi e Pavan (2014) com 56 crianças, que foram divididas em dois grupos, um com alto nível de criatividade e outro com baixo nível de criatividade, constatou-se que as crianças com alto nível apresentaram aumento da cor laranja. Essa cor, segundo o manual do teste de Pfister, está ligada a anseios por produtividade e ambição. Apresentaram, também, aumento da síndrome de estímulo (composta pelas cores vermelha, laranja e amarela) indicando capacidade de extroversão e contato afetivo social. Já as crianças com baixo nível de criatividade obtiveram valores aumentados na síndrome incolor (formada pelas cores preta, branca e cinza), indicando negação, repressão de estímulos e, ainda, fuga de situações afetivas. 

Como escolher a cor ideal para seu ambiente? 

A psicóloga confirma que a cor de um ambiente pode favorecer alguns estados emocionais. "Por exemplo, sabemos que cores quentes são estimulantes, sendo necessário evitá-las nos quartos, deve-se dar preferência por cores frias, pois estamos num momento de relaxamento para se preparar para dormir. As cores frias também são utilizadas em ambientes hospitalares. Já as cores quentes são indicadas para redes de fast food, por exemplo, justamente por sua característica estimulante", conta ela. 

Giovana Feres, arquiteta e professora da USF, concorda que as cores de um ambiente podem influenciar em nosso dia a dia. "Elas têm a propriedade de estimular e/ou exacerbar emoções de uma pessoa. Nesse sentido, podem promover tanto sensações de reconforto e aconchego, quanto de agitação, inquietação, repressão, etc. Essas sensações dependerão de vários fatores, entre eles a percepçãoindividual do espaço, já que cada pessoa tem uma referência e memória inconsciente das cores e ao que elas remetem; o efeito universal individual das cores, aqueles descritos pela literatura e que as dividem entre frias e quentes; e a relação e proporção que possui na composição final do ambiente, com as demais cores e texturas presentes em piso, parede, forro, mobiliário, objetos, tapeçaria, iluminação artificial e natural, etc.", diz ela. 

Utilizar as cores a favor de algo ou alguém dependerá muito do perfil final do usuário ou grupo de usuários e da finalidade que se pretende para cada espaço, itens os quais devem, portanto, ser bem especificados e estudados para uma composição adequada. "De maneira geral, podemos falar da categoria de cores quentes e frias. As cores quentes, como o vermelho, amarelo e derivados são mais estimulantes e dinâmicas, promovendo maior vitalidade, alegria, movimento e aproximação. Enquanto as frias, como azul, verde, roxo, são mais calmantes, tranquilizantes, suaves e estáticas, promovendo retração e afastamento", conta ela. 

A arquiteta exemplifica alguns ambientes e cores que poderiam ser usadas em cada um deles. Se o efeito desejado é um espaço para interação social, por exemplo, o melhor seriam composições de cores mais quentes. Enquanto que ambientes para tranquilidade e introspecção podem ter cores mais frias. Para ambientes da casa voltados para atividades dinâmicas, como a cozinha, podemos utilizar de cores com maior estímulo à agitação (cores quentes) se nesse espaço o perfil do usuário ou grupo requerer esse tipo de sensação, como uma família que gosta de se reunir à volta do balcão. Porém, outro perfil familiar pode preferir uma cozinha mais tranquilizante (cores frias), caso esse espaço seja mais utilizado para momentos de introspecção no ato de cozinhar. Ambientes de quarto e banheiro tendem a ser ambientes mais tranquilos por suas funções e, nesse sentido, cores frias podem predominar. 

"De qualquer modo, para qualquer ambiente, a regra está no equilíbrio da composição, já que apenas cores frias ou apenas cores quentes podem tornar os ambientes muito simplistas e mais cansativos, ao longo do tempo, com grande possibilidade de se querer mudar logo toda a decoração", conta Giovana.  

O professor de física Marcelo Bredariol tinha uma parede de cor concreto em seu quarto, que não passava uma energia muito positiva para o local. "Eu e minha esposa decidimos mudar. Optamos pelas cores Silence e Corda de Barco, ambos da marca Mactra. O primeiro é um tom de azul fechado e o segundo um tom mais pastel. O resultado foi excelente, mais tranquilidade e harmonia para o ambiente", conta ele.