Processando...

A crise dos concorrentes

A crise por que passou nosso país é séria, a mais grave que já tivemos. Mas toda crise tem começo, meio e fim, por isso, entramos agora num período de árdua e lenta recuperação pois os indicadores econômicos pararam de piorar e começam a apresentar números positivos, ainda que modestos.

Mas o custo foi alto, muitos perderam o emprego, empresas fecharam as portas e outras se foram seriamente debilitadas.

Mas, acreditem, no meio desta catástrofe, existem empresas que conseguiram atravessar este período de dificuldades e ainda obter bons resultados. São aquelas que levaram a crise a sério e não demoraram a tomar providências para se adequarem aos desafios do momento e não ficaram reclamando da sorte.

São empresas que tinham um plano e continuaram a trabalhar nele corrigindo falhas, melhorando o necessário e intensificando as ações que deram resultado. Estas progrediram na crise e saíram dela melhores do que entraram.

Fizeram, enfim, a lição de casa e se aplicaram em sua gestão pois em tempos difíceis, a boa gestão é o que salva enquanto que a gestão deficiente frequentemente faz o barco naufragar.

São conclusões simples, fruto de observação e bom senso.

Vi tudo isso acontecer com diversas empresas, inclusive empresas que iam bem e de repente começaram a sofrer os efeitos do que vou chamar de “Crise dos concorrentes”, expressão que tomei de empréstimo de uma excelente dirigente que assim se referiu aos concorrentes desesperados dispostos a arruinar os setores onde atuam para tentar se salvar e sem refletir um minuto sequer sobre os motivos de estarem na situação em que se encontram.

É comum em tempos como este que estamos vivendo, ver empresas oferecerem ofertas inacreditáveis, promoções destrambelhadas e preços abaixo do custo. Quem já não viu isso acontecer e ficou se perguntando, como conseguem, se fazendo os cálculos do que estão oferecendo, a conta não fecha?

A resposta é a seguinte: “Falta de estratégia e desespero”

A ação de concorrentes desesperados que atuam de forma inconsequente destruindo o valor de categorias inteiras é uma das piores ameaças que aparecem em tempos de crise e são as mais difíceis de enfrentar pois ofendem a lógica dos negócios e são sempre imprevisíveis.

Portanto, além de fazer a lição de casa, enxergar claramente o cenário e tomar providências a tempo, mantendo o foco na gestão intensiva do negócio da empresa, os gestores precisam também, olhar com atenção para a “Crise dos concorrentes” e atuar para minimizar seus efeitos já que evitá-los, nem sempre é possível.

Nossa recomendação neste caso é simples e direta. Precisamos proteger a cadeia de negócios do setor onde atuamos, pois em todos os setores, os negócios acontecem como resultado da ação de uma cadeia que une no mesmo processo compradores e vendedores, lojistas e seus fornecedores. Todos os integrantes de uma mesma cadeia precisam “cooperar” para que ela mantenha seu valor mesmo em tempos difíceis pois, este é o único caminho seguro para atravessar a tempestade.

Os fabricantes e varejistas precisam se enxergar como partes de uma mesma engrenagem que precisa girar ajustada para o bem de todos. Precisam perceber a tempo a ação negativa de quem está atuando de forma nociva para o setor e isolar estes elementos antes que prejudiquem aqueles que se empenharam na boa gestão e vê seus ganhos ameaçados pela ação desesperada de alguns fornecedores ou concorrentes.

Não deixem que a crise dos concorrentes afete seus negócios, saiba distinguir claramente quem atua para construir e agregar valor ao setor e aqueles que agem destrutivamente para se salvar mesmo comprometendo os resultados de todos.

Prefiram parceiros confiáveis e afastem-se daqueles, cuja conduta em tempos de crise muda radicalmente de uma hora para a outra, pois não existem formulas mágicas nesta hora, só a conduta correta e responsável pode construir algo de bom, principalmente em cenários desafiadores como os que estamos enfrentando hoje no Brasil.

 

Fabio Mestriner

Professor de Pós-Graduação na Escola de Engenharia Mauá

Autor de livros didáticos adotados em mais de 30 universidades no país.